Terapias

Método Mãe-Canguru


Mãe-Canguru pode de forma indireta significar: manutenção do equilíbrio térmico, prevenção de infecções por meio da assepsia, alimentação com leite materno e presença permanente da mãe ao lado do filho.

Em 1900, o obstetra francês Pierre Budin estabeleceu pela primeira vez as modalidades de vigilância e cuidados dos bebês de baixo peso ao nascer. Conheça o que é e a origem do Método Mãe-Canguru.

A necessidade da Mãe-Canguru. Já em 1979, os doutores Héctor Martinez e Edgar Rey Sanabria, do Hospital San Juan de Deos – Instituto Materno Infantil (IMI) de Bogotá, na Colômbia, iniciaram uma grande transformação na concepção e na forma de lidar com o recém-nascido pré-termo de baixo peso (RNPTBP). Os recém-nascidos (RNs) estavam sujeitos a uma situação crítica de superpopulação (mais de uma criança em cada incubadora), infecções cruzadas e ausência de recursos tecnológicos. A mortalidade neonatal era extremamente alta e o abandono materno freqüente.

 

Essas condições dramáticas fizeram os doutores Martinez e Sanabria criar o Programa Mãe-Canguru, um trabalho pragmático que veio revolucionar a forma de tratar os RNPTBP e oferecer a estas crianças a possibilidade de crescerem mais saudáveis e com melhor qualidade de vida.

O Método Mãe-Canguru (MMC) é uma tecnologia humana onde a maioria dos cuidados são prestados pelas mães, o que implica na diminuição da incidência de procedimentos invasivos e dolorosos nos RNs.

O contato íntimo do bebê com o corpo materno ajuda na regulação da temperatura corporal, na promoção do aleitamento materno e pode facilitar o apego entre mãe-filho.

O elevado número de RNPTBP ao nascimento, os altos custos hospitalares e as elevadas porcentagens de seqüelas no crescimento e desenvolvimento destes bebês constituem um importante problema de saúde pública, principalmente nos países ditos “em desenvolvimento”, e representam um alto percentual na morbi-mortalidade neonatal.

Além de ser um atendimento caro, foi constatado que ao colocar o bebê nascido prematuramente numa incubadora, há grande probabilidade de a mãe desvincular-se emocionalmente da criança gerando graves conseqüências médicas, psico-orgânicas e sociais.

 

 A  Mãe-Canguru

Mãe-CanguruA ausência de incubadoras, principalmente nas regiões mais pobres, a desnutrição e o abandono sofrido pelos bebês prematuros influenciam diretamente nos altos índices de mortalidade infantil.

Os cuidados habituais dos bebês de baixo peso constituem no tratamento das patologias que eles apresentam (Doença da Membrana Hialina – DMH, Síndrome da Aspiração Meconial – SAM, infecções, entre outras) e em atenuar a debilidade das funções fisiológicas (sistema termorregulador, reflexos de sucção e deglutição).

Buscando assim, uma alternativa segura e eficiente de atendimento a esses bebês, proporcionando-lhes melhor qualidade de vida e garantindo um atendimento mais humanizado tanto para crianças quanto para suas mães e familiares, foi criado o MMC.

Este método está sendo muito difundido pelo mundo por proporcionar condições de reduzir os índices de mortalidade dos prematuros e diminuir os custos hospitalares. Está sendo aplicado de forma diferenciada, se ajustando à realidade de cada região.

O MMC possui três importantes componentes: a posição canguru, a nutrição baseada principalmente no aleitamento materno e a saída precoce do hospital com acompanhamento ambulatorial.

 

Nos últimos anos vem crescendo no Brasil o número de Unidades de Mãe-Canguru 1Tratamento Intensivos Neonatais (UTIN), permitindo um atendimento mais adequado aos casos de prematuridade e de baixo peso ao nascer.

Essa incorporação tecnológica sofisticada e cara, deveria estar proporcionando a diminuição da morbi-mortalidade neonatal. Porém, quando foi observada a mortalidade causada pela DMH em UTIN, notou-se que é cerca de quatro a cinco vezes maior do que em países do “primeiro mundo”.

Essa diferença pode decorrer de muitos fatores, dentre os quais a menor quantidade de recursos, superlotação, deficiência nos cuidados básicos com o recém-nascido (RN) (como termorregulação, alimentação e prevenção de infecções), além da falta de capacitação, quantidade e qualidade de recursos humanos especializados.

O atendimento dos recém-nascidos pré-termos (RNPT) exige uma complexidade de equipamentos, medicamentos e pessoal especializado, tornando extremamente caro para os pais e para a sociedade este tipo de assistência. No Brasil, há um déficit de leitos em UTIN em todas as regiões do país, sem perspectivas de solução em médio prazo.

Em função das circunstâncias e das características do quadro médio-social acima diagnosticado, o MMC de assistência aos RNPTBP, apresenta-se como uma modalidade de cuidados ao bebê que pode colaborar para a diminuição desse grave problema de saúde pública no país, reduzindo significativamente as taxas de mortalidade infantil no primeiro ano de vida.

Os primeiros programas no Brasil a aplicarem essa tecnologia foram o Hospital Guilherme Álvaro, em Santos – SP (1992) e depois o Instituto Materno Infantil de Pernambuco – IMIP (1994) em Recife.

Atualmente temos mais de 60 Maternidades situadas nos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo estão adotando esta filosofia de atenção pré-natal.

Em cada região de acordo com suas características socioeconômicas o MMC sofre adaptações em seus objetivos e em suas aplicações.

               

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