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Saci Pererê X Homem Aranha


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Desce cedo se incentiva o preconceito, cultiva-se a ignorância, educa-se impondo o medo, o castigo, a repressão! Quem é o Saci Pererê? Um negro, fumante, aleijado que faz maldades. E o Caapora? E se eu não dormir, a mula-sem-cabeça vai me pegar.

Mas aí é que eu não dormia mesmo. Nem tanto pelo medo, mas por ficar pensando como ela via se não tinha cabeça? Como respirava, como ouvia? Eu era só uma criança, mais uma entre tantas que crescia ouvindo histórias de horror.

Mas horrorizado mesmo eu fiquei quando cresci e comecei a relembrar desta época. Quando comecei a imaginar, como seria se eu tivesse nascido nos Estados Unidos, por exemplo. Ia crescer ouvindo histórias do Homem Aranha. Ele sim, eu tinha vontade de dormir, embalado por suas histórias. Seu próprio uniforme já tem as cores do país. Já cresce amando a terra do Tio Sam. O mesmo acontece com o Super Homem, Mulher Maravilha, Capitão América. Heróis que fizeram gerações e gerações de crianças crescerem com orgulho, com honra, com amor ao país, com determinação. Bem diferente de quem cresce com medo da Cuca.

 

Nunca tive medo da Cuca. Tinha mais era aversão a estas histórias, este folclore brasileiro. Talvez por isto dormia cedo, dormia rápido, para não ter que ouvir estas histórias.

Nunca gostei desse modo de educar: Come tudo senão a Cuca vem te pegar. Faz isto senão acontece aquilo, etc., etc..

Sei do valor da história de um povo. Sei do valor da cultura regional. Mas não podemos ficar cegos diante disto. Não é porque, na época do descobrimento do Brasil, a tradição era trazer escravos, matar índios, que vamos cultivar isto pelos dias de hoje.




Ainda bem que o mundo evoluiu, novas descobertas são feitas a cada instante. Sabemos que a Terra é redonda, que São Jorge não mora na lua com seu cavalo, que o  Arco-íris nada mais é do que raios de sol refletidos nas gotas da chuva.

Saci PererêEntão, desde bem cedo, eu quis ir além do folclore Brasileiro, não me interessava estas histórias preconceituosas, que faziam o povo crescer à base do medo, da imposição. Eu queria crescer com heróis bonitos, que lutavam pela liberdade, que vestiam ‘a camisa’ do país.

Não encontrei um super herói de uniforme verde amarelo. Aliás, verde amarelo só via na época da copa do mundo. Estes para mim, nunca foram heróis, coisíssima, nenhuma.

Temos pessoas que fizeram muito pelo país. Pessoas negras, pessoas brancas, pessoas jovens e idosas. Pessoas que poderiam ser a inspiração para novas lendas, realmente importante, para nosso folclore, modelos para nossas futuras gerações. Mas são pessoas esquecidas.

Os modelos de heróis hoje para as crianças são quem? Mulher mamão? O homem que rebola incrivelmente rápido? Ou a garota que beija mil em uma noite só? Sinceramente, já não sei quem é pior, os heróis de hoje ou de quando eu era criança.

Talvez por isto, mesmo com todos os defeitos, ainda admiro os heróis de lá. Ainda prefiro mais dar uma volta no Central Parque com o Peter Parker do que ver as peraltices do Saci Pererê.










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